O 8 de Março e a Luta das Mulheres: Desigualdade, Violência e o Compromisso do SINTAPI

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o momento não é apenas de homenagens, mas de intensa luta e mobilização. A data serve como um lembrete crucial de que a busca pelos direitos das mulheres no Brasil ainda enfrenta barreiras profundas, marcadas pela intensa desigualdade econômica e pela violência de gênero. Dados recentes revelam que a disparidade e o perigo continuam presentes no cotidiano feminino, exigindo atenção urgente da sociedade e forte atuação do movimento sindical.

A persistência da desigualdade salarial No mercado de trabalho formal, a balança continua pesando contra as trabalhadoras. De acordo com o Relatório de Transparência Salarial do Governo Brasileiro, as mulheres recebem, em média, 19,4% a menos que os homens.

Uma análise quantitativa da distribuição de renda no país demonstra uma inversão clara e injusta: as mulheres são a grande maioria nas faixas salariais mais baixas, ganhando até 2 salários mínimos. Em contrapartida, os homens predominam de forma expressiva nas faixas mais altas, como as superiores a 20 salários mínimos. Estudos comprovam que o gênero da pessoa é um fator crucial na determinação das faixas salariais, influenciando fortemente quem ocupa o topo da pirâmide.

A epidemia do feminicídio e o recorte racial Além da violência econômica, a violência física atinge níveis alarmantes e tem cor e endereço. Um relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que as mulheres negras são as maiores vítimas, representando 62% dos casos de feminicídio no Brasil.

Os números expõem a urgência de políticas de proteção: entre 2021 e 2024, foram registrados 5.729 feminicídios, e apenas no ano de 2025, o país contabilizou 1.568 vítimas — um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. A crueldade desse cenário se acentua ao constatar que 8 em cada 10 feminicídios são cometidos por atuais ou ex-parceiros íntimos, ocorrendo predominantemente dentro da própria casa da vítima.

Essa realidade é ainda mais agravada pela falta de estrutura estatal. Metade dos casos ocorre em cidades pequenas, onde a rede de proteção é quase inexistente, com apenas cerca de 5% desses municípios possuindo delegacias da mulher.

O papel do Sindicato e a palavra do Presidente Para mudar essa realidade de machismo e racismo, os movimentos sociais e sindicais têm um papel central em acolher as vítimas, promover a conscientização no ambiente de trabalho e pressionar por políticas públicas efetivas, como a criação de mais delegacias e casas-abrigo.

Reafirmando o compromisso inabalável do sindicato com essas pautas neste dia de mobilização, M.A.Guilherme Santos, presidente nacional do SINTAPI, destacou a importância de defender os direitos femininos em todas as fases da vida:

"Em nome do SINTAPI, venho a público declarar que a nossa entidade apoia incondicionalmente as bandeiras das lutas das mulheres, com uma atenção especial e cuidadosa às mulheres idosas. O SINTAPI entende que nossas aposentadas e pensionistas dedicaram uma vida inteira à construção deste país e, por isso, exigimos respeito, visibilidade e políticas públicas que garantam a dignidade e a segurança de cada uma delas. Para o nosso sindicato, a luta das mulheres é a luta de todos nós."

Sem pressão social e organização coletiva, essa realidade não muda. Fortalecer a mobilização neste 8 de março e em todos os outros dias do ano é parte do caminho para enfrentar e romper o ciclo da violência e da desigualdade.